sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Febre do Chikungunya no Brasil

O Ministério da Saúde noticiou a ocorrência de 3 casos importados de Febre do Chikungunya no Brasil. Dois casos (um homem de 55 anos e uma mulher de 25 anos)são de São Paulo; o terceiro caso (um homem de 41 anos) é do Rio de Janeiro. Os dois homens apresentaram sintomas após viagem a Indonésia e a mulher, após viagem a India.
A importância da notificação destes casos é que esta doença é transmitida pela picada de mosquito e esse mosquito é nada mais nada menos que o nosso Aedes aegypti que transmite o dengue.
Por enquanto, não há evidências de circulação deste vírus no Brasil, porém é importante que as vigilâncias epidemiológicas dos municípios e estados fiquem alertas.
Este vírus costuma circular na África e na Ásia. Em 2007 ocorreu um surto na Itália. No ano passado a Ásia apresentou epidemias importantes: foram 49.069 casos na Tailândia e 4.430 casos na Malásia.Em agosto de 2010 a India notificou 16.870 casos suspeitos em 14 estados.
A febre do Chikungunya é uma doença infecciosa causada por um vírus e transmitida através da picada do mosquito Aedes aegypti infectado. Os sintomas são febre alta,dores articulares com ou sem inchação,dor de cabeça, náuseas, vômitos, fadiga intensa e uma erupção no corpo (rash). Parte das pessoas desenvolvem a forma crônica da doença, caracterizada por dores articulares que podem durar de 6 meses a 1 ano. A mortalidade é baixa.
Não existe vacina para esta doença.
A pessoa que vai viajar para países onde existe circulação deste vírus deve se proteger usando repelentes com tempo de proteção prolongado (DEET ou Icaridina), roupas adequadas (calça comprida, blusa de mangas compridas, tenis e meias). Locais de hospedagem com ar condicionado e/ou janelas e portas teladas garantem melhor proteção.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Epidemia de cólera no Haiti - e os riscos continuam.

Milhares de pessoas estão sem teto no Haiti devido ao terremoto que ocorreu em janeiro de 2010. Essas pessoas vivem em campos ao redor das cidades, em condições sanitárias deploráveis.Não é de se estranhar a ocorrência de uma epidemia de cólera nestas condições de vida.
Até 3 de novembro de 2010, foram notificados 6.742 casos e 442 óbitos. Nos últimos 4 dias ocorreram 105 óbitos. Existem 1978 casos hospitalizados. O número de casos novos nestes últimos dias cresceu 41% e o número de óbitos, 31%. A OMS alertou que a epidemia está longe de acabar e que o Haiti deve se preparar para o pior cenário, se a epidemia atingir a capital, PortoPríncipe, de alta densidade populacional.
Pesquisadores médicos no Haiti acreditam que a fonte original da bactéria seja de algum lugar do sul da Ásia. O DNA isolado de 13 amostras de vítimas da cólera foram idênticos, mostrando que a epidemia vem de uma única cepa que comparada a outras que circulam no mundo, parece ser originária da Ásia. Novos estudos vão permitir conclusões mais precisas.
Cepas de cólera circulam em diferentes regiões do mundo devido às viagens globais de turismo e comércio. Esta cepa provavelmente deve ter sido transmitida por alimento ou água contaminados por uma pessoa infectada. O Ministro da Saúde do Haiti declarou que existe a possibilidade de que um contingente de paz das Nações Unidas proveniente do Nepal tenha trazido a bactéria para o país. Exames relizados nestes agentes não demonstraram traços de cólera.
Estes acontecimentos chamam a atenção para a vulnerabilidade das populações que vivem em condições sanitárias desfavoráveis a bactérias tao danosas com a da cólera, propiciando epidemias trágicas.
As pessoas que viajam para locais onde circula a bacteria da cólera, além dos cuidados com a água e alimentos que consomem e lavagem frequente das mãos, devem também receber a vacina contra a cólera que já existe nas clínicas de vacinação do Brasil; é uma vacina oral tomada em 2 ou 3 doses dependendo da idade, com intervalo mínimo de uma semana entre as doses.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dengue e Chikungunya autóctones do Sul da França

Em 13 de setembro de 2010, o Ministério da Saúde da França notificou o primeiro caso de transmissão autóctone de dengue em Nice, região metropolitana da França.
O caso, confirmado laboratorialmente, é de uma pessoa do sexo masculino que não se deslocou do local de sua moradia. Os sintomas ocorreram em agosto de 2010 e o paciente evoluiu para cura.
Foi a primeira vez desde 1927-1928, quando ocorreu uma grande epidemia na Grécia, que um caso de dengue é diagnosticado na Europa Continental.
O Ministério da Saúde da França adotou medidas de aumento da vigilância epidemiológica e entomológica e ações de controle do vetor na área de ocorrência.
Há 3 dias, uma criança de 12 anos apresentou um quadro que foi diagnosticado como Chikungunya em Frejus, no sul da França. Este é o segundo caso identificado em poucos dias após a mesma doença acometer uma criança da mesma idade. Estes casos também foram notificados como autóctones, já que nenhuma destas crianças visitou outras partes do mundo onde a doença é endêmica.
Ambas, Dengue e Chikungunya são doenças transmitidas pelo mosquito Aedes albopictus que apareceu no sul da França em 2004. Alguns territórios da França além-mar, como Guadaloupe (1.300 casos) e Martinique (2.540) tiveram surtos de dengue recentemente. Acredita-se que as crianças foram picadas por um mosquito que previamente picou um caso importado da doença.
É um vírus do gênero Alphavirus transportado por insetos e que é transmitido a humanos pela picada de mosquitos Aedes. Os sintomas são semelhantes ao dengue com uma fase febril aguda, que dura de 2 a 5 dias, seguida de prolongada artralgia e fadiga. Costuma ocorrer na África tropical e Ásia. O reservatório principal é o macaco.
A prevenção é evitar a picada do mosquito com repelentes e roupas adequadas. Está em estudo uma vacina de DNA.
Fonte:European Travel and Tropical Medicine Network of the International Society of Travel Medicine.

domingo, 22 de agosto de 2010

Terminou a fase de alerta da pandemia da gripe

O mundo não está mais na fase 6 do alerta de Influenza Pandêmica. Estamos agora mudando para o Período Pós- pandêmico.
Esta decisão foi tomada tendo como base a reunião do Comitê de Emergência da OMS que avaliou a situação global e os relatórios de alguns países que estão agora vivenciando influenza.
Ao entrarmos no período pós- pandêmico não significa que estamos livres do vírus H1N1e que a população pode relaxar.
Baseados na experiência de pandemias passadas, é esperado que o vírus adote, depois de algum tempo, o comportamento do vírus da influenza sazonal e que continue a circular ainda por alguns anos.
Neste período pós-pandêmico, surtos localizados de diferentes magnitudes podem mostrar níveis significativos de transmissão.
Globalmente os níveis e padrões da transmissão de H1N1 estão diferindo bastante do que foi observado durante a pandemia. Surtos fora da estação não têm sido notificados em ambos os hemisférios (norte e sul). Os surtos de H1N1 tem tido intensidade semelhante aos produzidos nas epidemias de influenza sazonal.
No período pandêmico o H1N1 era predominante, agora muitos países estão notificando uma mistura de vírus influenza como costuma ocorrer na influenza sazonal.
Estudos recentes têm mostrado que 20 a 40% das populações foram infectadas pelo H1N1 e isso representa algum nível de proteção para estas populações. Muitos países, como o Brasil, tiveram boa cobertura vacinal principalmente em grupos de alto risco e esta cobertura aumenta a imunidade da comunidade.
A continuação da vigilância é extremamente importante.
Baseado em evidências e experiências de outras pandemias é esperado que o vírus continue a causar doença grave em grupos de idade jovem, principalmente no período imediato pós-pandêmico.Uma pequena proporção de pessoas infectadas durante a pandemia, principalmente jovens, crianças menores de 2 anos e gestantes, desenvolveu uma forma grave de pneumonia viral primária de difícil tratamento que não é típico da influenza sazonal. Não se sabe quando este padrão vai mudar. Durante o período pós- pandêmico é preciso enfatizar a necessidade de vigilância epidemiológica e laboratorial do vírus da influenza com maior apuro.
A OMS avisa que casos e surtos locais de H1N1 podem continuar ocorrendo e em alguns locais estes surtos podem ter um impacto substancial na comunidade.
Os motivos acima nos levam a continuar indicando e incentivando a vacinação para os não vacinados, principalmente o adulto jovem, a criança e as gestantes.
A vacina combinada nas próximas estações terá na sua formulação o vírus H1N1 além dos vírus da influenza sazonal que circulam nos hemisférios norte e sul a cada ano. Lembramos a importância desta vacinação ser realizada anualmente.

domingo, 25 de julho de 2010

Republicação: Serviço de Medicina de Viagem

O Serviço de Medicina de Viagem da Prophylaxis, clínica de vacinação que segue rigorosamente as normas de qualidade da OMS, foi criado com o intuito de proporcionar ao viajante atendimento preventivo de agravos, incluindo a aplicação das vacinas necessárias de acordo com o destino a que cada um se dirige, de maneira a evitar adoecimentos e contratempos. A Prophylaxis tem uma rede de atendimento que conta com 29 unidades, sendo que os atendimentos específicos para viajantes são realizados nas Unidades do Rio de Janeiro do Leblon e do Arpoador, por equipe que consta de médica -Dra. Meri Baran- e pessoal de enfermagem. Nas demais unidades existe um protocolo de ações (procedimentos) em como orientar o interessado em concretizar a consulta e também obter acesso a material informtivo.
O ideal é que a pessoa procure o atendimento 4 a 6 semanas antes da data da viagem e no mínimo, 10 a 15 dias. Para marcar consulta ligue para (21) 2495-1020 ou (21)2491-6364, informando a data da viagem e os locais para onde se dirige. A equipe do serviço está sempre atualizada com as ocorrência de surtos, epidemias e doenças de uma maneira geral de cada país.
Site: www.prophylaxis.com.br
P.S.- Veja em "postagens mais antigas" o artigo sobre Medicina de Viagem.

sábado, 24 de julho de 2010

Situação epidemiológica daInfluenza A H1N1 no Brasil

Segundo dados do Ministério da Saúde (Secretaria de Vigilância em Saúde),no período de janeiro a julho de 2010 foram notificados 7.289 casos. Deste total, 10% (727) foram confirmados como influenza pandêmica H1N1.
A região sudeste apresenta a maior proporção de casos notificados, 43.2% (3.357), porém a região sul apresenta a maior proporção de casos confirmados (289) seguida de perto pela região norte (256).
Em 2010, a primeira quinzena do mês de março apresentou a maior freqüência de casos confirmados para influenza A H1N1 em função do pico registrado na região norte. A partir de abril observa-se uma redução contínua da incidência de casos confirmados em todo o país.
Do total de casos confirmados, 52,1% apresentavam pelo menos uma condição de risco para gravidade. Média de idade - 24 anos, predomínio do sexo feminino (61,8%), sendo que 69,9% eram mulheres em idade fértil e destas, 36% eram gestantes.
Foram notificados 769 óbitos suspeitos de influenza pandêmica. Destes, 91 foram confirmados. 60 estão sob investigação. Entre os óbitos confirmados, a média de idade foi 28 anos e o sexo feminino foi o mais freqüente com 70,3% ( 64) dos óbitos confirmados, sendo que (67,2%) eram mulheres em idade fértil; destas 53,5% (23) eram gestantes.As gestantes representaram 25,3% do total de óbitos confirmados.A região Norte apresentou a maior proporção de óbitos confirmados, 42 (56,8%). Esta maior proporção ocorreu até o mês de março com significativa redução a partir de então.
Pelos dados relatados conclui-se que ainda não dá para relaxar pois o vírus continua circulando em nosso país. Os jovens são os mais atingidos, principalmente as mulheres. A gestante tem importante participação nos casos graves e óbitos.
No geral, a campanha de vacinação atingiu a meta proposta pelo Ministério da Saúde mas alguns grupos como gestantes, adulto jovem de 30 a 39 anos não conseguiram alcançar esta meta. Os postos de saúde e clínicas de vacinas continuam oferecendo a vacina. Lavar as mãos com frequencia e adequadamente deve sempre ser lembrado como um fator importante de proteção.
Meri Baran

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Atualização da ocorrência de Influenza A H1N1 no mundo

Até 12 de julho de 2010, mais de 214 países notificaram casos confirmados laboratorialmente de influenza pandêmica, incluindo 18.209 óbitos.
Monitoramento pela OMS (Organização Mundial de Saúde):
De uma maneira geral no mundo, a atividade de influenza pandêmica (H1N1) e sazonal permanece baixa.
A transmissão ativa do vírus da influenza pandêmica persiste principalmente no Caribe, Oeste da África, Sul e Sudeste da Ásia. No Hemisfério Sul e nas áreas de clima temperado os vírus pandêmico e sazonal têm sido detectados esporadicamente neste inverno.
Na Ásia, as áreas mais ativas de transmissão de influenza pandêmica estão em regiões do Sul da India, Bangladesh, Singapura e Malásia. A India tem apresentado notificações recentes de vírus pandêmico em Kerala, Sul da India, incluindo alguns casos graves e fatais principalmente entre mulheres grávidas. Em Bangladesh e Singapura as infecções respiratórias agudas declinaram abaixo dos níveis de alerta e as amostras testadas positivas para vírus pandêmico caíram de 28 para 19%. Na Malásia, em junho de 2010, houve um declínio mas continua a circulação do vírus pandêmico. Na Ásia Ocidental a atividade pandêmica e sazonal permanece muito baixa. China e Japão têm índices de influenza que permanecem em níveis básicos para a estação do verão.
Nas Américas, de uma maneira geral, a atividade da influenza pandêmica e sazonal permanece baixa. Excessão: 1) Cuba onde o pico da transmissão foi em abril e maio mas tem apresentado diminuição; 2) Colômbia e Peru com atividade da influenza regional, mostrando uma tendência de aumento de notificação de doença respiratória aguda. A América do Norte tem mantido níveis baixos de atividade
Na África Sub Saariana, a atividade de influenza pandêmica e sazonal tem sido limitada a alguns países: Gana, na África oriental, continua a ter ativa circulação do vírus pandêmico – o pico foi em abril de 2010; a proporção de amostras positivas testadas foi de 16 a 23% nas 2 ultimas semanas.
A OMS continua mantendo o nível de alerta 6 - PANDEMIA.